quinta-feira, 28 de junho de 2012

Mundo Quente


Eu estou ofegante e suado agora. Sua pele macia e branca como leite de bebê remanesce debaixo do meu lençol preto, onde eu já me escondi e rolei tantas vezes antes. Eu inclino a minha cabeça um pouco para a esquerda, fitando-a com um olhar maroto e alegre. Satisfação pós sexo. Estico um pouco a minha mão e agarro um seio quente, simétrico e macio enquanto encosto a minha boca e nariz em uma orelha. O som de duas respirações ofegantes e quase uniformes é como música para mim e invade o quarto cúbico que tem cheiro de fumaça de cigarros e sexo. Fecho os olhos recriando as sensações recentemente sentidas durante o ato, enquanto farejo toda a essência dos seus azuis olhos de cristal. O mundo é quente, confortável e tudo tem um tom mais claro, mesmo com um único filete de luz no quarto. O mundo é o meu pequeno útero, chamado de quarto, enquanto estou deitado com ela. Eu devo estar com um sorriso bobo estampado no rosto quando adormeço. Ainda em estado semi-inconsciente sinto os olhos de cristal da garota me vigiando de leve, velando o meu sono tão desejado e merecido. Foi um dia quente. Mesmo em uma estação tão gélida e cruel quanto o inverno, fez um dia quente e o sol decidiu rir das pessoas durante várias horas. Me sinto seguro e quente, as coisas tem um ar especial. Ouço um toque polifônico repetitivo saindo de um celular que está na sala, junto com algum pedaço de roupa meu. É hora de levantar. Parece que a minha soneca que durou alguns poucos minutos foi melhor do que várias noites mal-dormidas recheadas de lembranças ruins. Talvez os olhos de cristal exorcizem as coisas ruins e me tragam a tão desejada paz que quero. Mesmo que por alguns instantes, o meu mundo foi quente nesse dia.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Trono

E é aqui onde me encontro... Sentado no meu trono psicodélico verde com bolinhas roxas. Entre duas realidades paralelas completamente distintas, sentado na minha própria tangente. Me dê um bom motivo... Bem, esqueça, eu acho que eu não poderia ligar muito de qualquer maneira. Existe ritalina e erva demais no meu cérebro, para que eu pense claramente em tudo o que eu nunca quero pensar e cuspa as minhas palavras confusas, vazias e complexas na minha própria parede de faz-de-conta.