quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Hímen

Vosso sagrado hímen uma vez rompido
Retorna agora atrás da sua molhada vingança
Sangra em cima da minha cabeça e me machuca
Oh, como machuca
Me lembrando da primeira vez
Em que eu me senti completa e despedaçada
Com a língua sobre os lábios e um sorriso forçado
Você vem para me fazer sua
Sua melhor foda, alívio imediato
Levando tudo o que há de bom em mim
Estuprando toda a pureza límpida e bela
Me deixa suja e vazia, como uma mente ruim
Ejacula os seus problemas
E leva embora a paz que nunca tive

Infecções e Enfermeiras

Neste natal eu quero me livrar de todas as infecções. Quero curar as feridas amarelas e esconder o fedor de carne podre e meias sujas que sai delas. Eu vou sair da cadeira de rodas e me levantar. Não, não tem sido tão divertido. Tomaria três cervejas, mas o fígado e o ânus se perderam no último ataque de ansiedade. Os fios que enfiaram no meu nariz estão mais frouxos agora, então eu posso me mexer de vez em quando. É bom que eu me mova, ainda que seja só para levantar um pouco a cabeça e sentir a tensão no músculo da nuca. Ao menos assim toda a guerra dentro do meu orgão gelatinoso do tipo raciocinador dá um pequeno e breve toque de cessar fogo. Aquela enfermeira que passa por mim, aquela com os olhos grandes, ela poderia abrir suas grandes coxas grossas e sentar em mim. É, talvez isso animasse um pouco o meu astral. Eu poderia ter um ataque cardíaco no meio do entra e sai, mas quem dá a mínima? Morreria feliz, e rígido. Provavelmente teriam que fazer um outro furo no meu caixão. Ainda assim, seria um ótimo presente, um pouco de entra e sai. Eu preciso ir agora, o médico com as agulhas grandes está chegando parar dar as minhas doses diárias. Essas doses, eu tenho a impressão de que só fazem com que o meu estado vegetativo do tipo fruta podre só piore. Esses médicos sem rosto me dão arrepios. Ao menos são mais amigáveis do que os monstrinhos do sótão.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pássaros

Eu gosto de pássaros. Quando as coisas estão ruins de verdade, eles voam para longe. São livres, aerodinâmicos, e quase alegres. Com seus olhos pequenos e pretos, quase sem expressão, estão por toda parte. Seja como pragas, ou como maravilhosos produtos coloridos da mãe natureza. Quando presos em gaiolas até cantam de tristeza, tamanha crueldade privar tais fascinantes criaturas das coisas simplistas, porém belas da liberdade. Os pássaros podem ser pequenos fantasmas... Livres pelo verde, comendo insetos e qualquer coisa que possam encontrar. Talvez pequenos espíritos que demonstrem a real liberdade. Liberdade, liberdade, liberdade. Alguns vivem muito tempo, outros talvez muito pouco. Eu diria que eles vivem o suficiente. O suficiente para verem tanta beleza em coisas tão simples.

Comum, Gratuito e Feio

Vá em frente e abra as suas malditas pernas. Aproveite qualquer coisa que quiser aproveitar e converse consigo mesma dentro de toda a futilidade que conseguir ter. Veja o quanto você é bela e suja, por trás de toda a maquiagem e conhecimento sexual. Coloque o máximo que você conseguir na sua boca, engasgue, sofra. Seja usada e abusada de todas as maneiras que você desejar, há plenitude dessas por aí. Mas não volte, não volte mesmo. Esqueça o caminho, esqueça o mundo, os sentimentos, tudo. Essas coisas nunca foram pra você, apesar de que você sentiu o gosto. Eu realmente espero que seja amargo e frio, para que você se sinta como uma vítma da sociedade moderna no final. Comum, gratuito e feio é esse seu destino. Sofra bastante, sofra muito... Chegue ao fundo do poço, e fique lá quando atingir o fundo, é lá onde você pertence. Maltrate aqueles que largaram o mundo por você, ria deles, deboche. A vida é uma grande piada, e você provavelmente estará rindo disso tudo no final. Eu espero que a vida ejacule na sua cara, bem do jeito que você gosta. Aqui se faz, nem sempre se paga. Você nunca vai me ver queimar, seus olhos de vidro falso não vão me alcançar. Não mais. Sem sorrisos e sem felicidade, não pra você. Eu adoraria ver todo o seu mundo girar e quebrar, mas eu ando muito ocupado fingindo que sei sorrir.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Triste.

Aquele maldito momento onde você acende um cigarro e se dá conta do quão sozinho você está, mesmo em uma festa com pessoas ricas e felizes a sua volta. Maldição.

Heróis Estuprados

- E o que acontece quando todos os seus heróis caem um por um, mortos pelo cansaço e estuprados pela bandeira que juraram defender até a morte?

- Você abraça todos seus piores vilões, pois até um sorriso de papel pode parecer o paraíso, perto da crueldade de ser atirado em um mundo tão velho e podre.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A caverna

E ao olhar nos olhos do monstro, o menino sentiu medo. Uma inexplicável sensação de que deveria sumir logo dali. Sentiu calafrios percorrendo todas as extremidades do seu corpo, sentindo uma enorme sensação de peso em seu estômago. Tentou encontrar uma fonte de luz dentro da caverna, o fim da caverna, ou ao menos o ponto de onde ela começava. No meio do desespero, enquanto corria o máximo que suas raquíticas pernas o permitiam, se perguntou como havia parado em um lugar como aquele. Não se lembrava de ter entrado naquela caverna, mas ela realmente não estava sendo como um lindo passeio no parque. Como poderia se enfiar em um lugar tão escuro e assustador sem nem ao menos se dar conta? E como aquela coisa que o perseguia estranhamente silenciosa parecia até... Familiar? O menino limpou as questões de sua cabeça, corria na escuridão, tentando mudar as direções e despistar a coisa. Toda vez que o monstro se aproximava do menino, lembranças vinham a sua mente. Era quase como se o monstro estivesse escolhendo cuidadosamente cada memória morta de dentro da mente do garoto, e ressucitando-as de tal maneira que chegava a doer. A caverna parecia não ter fim, paredes, entrada ou saída. Era um lugar com suas peculiaridades, com cheiros e sentimentos se manifestando quase físicamente dentro da cabeça do garoto. O monstro continha todos eles, mas de uma maneira desconexa e caótica. Só existia o silêncio naquela escuridão perpétua, irritante e violento. Ensurdecedor, assassino de qualquer sanidade ali já vista. O menino estava cansado agora, já não tinha fôlego para continuar por muito mais tempo. Seu ritmo ia diminuindo gradualmente, e podia sentir o monstro cada vez mais perto. Um simples erro de um segundo, e todo o seu esforço ia por água abaixo. Tropeçou, perdeu o equilíbrio e caiu. O monstro pulou para cima do menino, em um movimento único e brusco, violento, porém sem som.
- Do que você tem medo, garoto?

- Dos seus olhos! Eles são vazios, e eu tenho medo de me perder dentro deles!

- Não tema, meu pequeno... Não tema. Se você chegou até aqui, isso tudo deve ter um propósito. Esse lugar pode ser bom, se você quiser que assim seja.

- Como um lugar tão assustador pode ser bom? Não tem vida aqui, não tem luz... Só os cheiros e a escuridão! Eu quero sair, agora!

- Você não pode...  Você criou esse lugar, você pertence a ele. Eu só sou... Você, e você é eu. Juntos somos um só. Um inteiro dividido. Eu entendo você, e posso fazer tudo passar. Qualquer coisa que você desejar, pode aparecer por aqui. Todos os doces, brinquedos e amigos imaginários.

- Mas então, como isso foi ficar desse jeito? Tão escuro... Eu tenho medo disso.

- Tudo o que acontece por aqui é materializado por você. Você sabe todas as respostas. Você me criou também, criou esse lugar... Agora cabe a você, aceitá-lo ou modificá-lo.

- Então... Esse lugar é assim por... Eu sei as respostas. Isso é real?

- Só se você quiser.

- Não vai durar muito, vai?

- Só mais um pouco.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Crianças

Vamos, vamos crianças abençoadas e odiadas por todo o país
Comam todo o doce que quiserem, façam todas as suas birras e futilidades generalizadas
Mudem de nome, sobrenome, endereço e telefone
Mudem suas caras, seus estilos e suas maquiagens baratas
Machuquem umas as outras, peçam falsos perdões
Molhem seus leçóis, tenham os seus admiráveis pesadelos
Matem todas as coisas boas e afoguem todas as suas tristezas pseudo-inocentes
Usem e abusem de tudo o que vocês encontrarem pelo caminho
Sejam corretas, obedeçam as regras, não se atrasem
Pois o grande show começa agora
E nenhum santo vai ficar de fora
Tragam todo o plástico e a felicidade instantânea
Pois isso vai doer.