sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Cigarros e Música Alienígena

Maldita sexta-feira sóbria, a noite chega e me apunhala pelas costas. Coloco alguma música alienígena que possa disfarçar o cheiro dos cigarros e memórias. Eu pensei ter sentido um pouco de dor, mas pode ser só um pouco de tédio derivado dessa minha nova vida de escravidão.
Amanhã, provavelmente depois de uns goles, isso tudo há de passar. Afinal de contas, quantos goles ainda hei de tomar? De qualquer maneira continuo a preencher as minhas entranhas, que permanecem a reclamar.
Dessa estranha sensação de que tudo tem que passar.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Mundo Quente


Eu estou ofegante e suado agora. Sua pele macia e branca como leite de bebê remanesce debaixo do meu lençol preto, onde eu já me escondi e rolei tantas vezes antes. Eu inclino a minha cabeça um pouco para a esquerda, fitando-a com um olhar maroto e alegre. Satisfação pós sexo. Estico um pouco a minha mão e agarro um seio quente, simétrico e macio enquanto encosto a minha boca e nariz em uma orelha. O som de duas respirações ofegantes e quase uniformes é como música para mim e invade o quarto cúbico que tem cheiro de fumaça de cigarros e sexo. Fecho os olhos recriando as sensações recentemente sentidas durante o ato, enquanto farejo toda a essência dos seus azuis olhos de cristal. O mundo é quente, confortável e tudo tem um tom mais claro, mesmo com um único filete de luz no quarto. O mundo é o meu pequeno útero, chamado de quarto, enquanto estou deitado com ela. Eu devo estar com um sorriso bobo estampado no rosto quando adormeço. Ainda em estado semi-inconsciente sinto os olhos de cristal da garota me vigiando de leve, velando o meu sono tão desejado e merecido. Foi um dia quente. Mesmo em uma estação tão gélida e cruel quanto o inverno, fez um dia quente e o sol decidiu rir das pessoas durante várias horas. Me sinto seguro e quente, as coisas tem um ar especial. Ouço um toque polifônico repetitivo saindo de um celular que está na sala, junto com algum pedaço de roupa meu. É hora de levantar. Parece que a minha soneca que durou alguns poucos minutos foi melhor do que várias noites mal-dormidas recheadas de lembranças ruins. Talvez os olhos de cristal exorcizem as coisas ruins e me tragam a tão desejada paz que quero. Mesmo que por alguns instantes, o meu mundo foi quente nesse dia.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Trono

E é aqui onde me encontro... Sentado no meu trono psicodélico verde com bolinhas roxas. Entre duas realidades paralelas completamente distintas, sentado na minha própria tangente. Me dê um bom motivo... Bem, esqueça, eu acho que eu não poderia ligar muito de qualquer maneira. Existe ritalina e erva demais no meu cérebro, para que eu pense claramente em tudo o que eu nunca quero pensar e cuspa as minhas palavras confusas, vazias e complexas na minha própria parede de faz-de-conta.

domingo, 13 de maio de 2012

Problema Digestivo

Eu tenho um problema de liberação de excrementos. Meus pensamentos se tornam sentimentos e os sentimentos se tornam matéria fecal semi-digerida que fica presa pelas pontas do meu ânus, causando grande dor e desconforto durante a maior parte do dia, apenas cessando quando utilizada erva medicinal do tipo diabólica, ou grande distração mental. Eu realmente deveria defecar com mais frequência. Daria descarga em todos os meus demônios e medos. Daria descarga em todas as pessoas que eu convivo por conviver. Daria descarga em tudo o que me desagrada e me irrita. Daria uma descarga no meu próprio cérebro.

Olhos de Cristal

E tem essa garota... Olhos de cristal e uma atitude inocente do tipo virgem de bom gosto musical curiosa. Ela costuma alimentar meus órgãos internos com um pouco de esperança e sexualidade. De vez em quando, me faz vomitar uma ou três palavras bonitas, me lembrando que eu ainda sou um bom menino. Tem passos de dança tortos como os meus e costuma me olhar como se estivesse esperando que eu vomite um arco-íris ou simplesmente puxe uma escopeta do esôfago e mutile todos a minha volta. Acho que tem me feito bem, a lenda diz que o monstrinho já sorriu algumas vezes. Ela cheira a uma mistura extremamente agradável, um misto de bala de marshmallow com shampoo de bebê. Gosto de passar o meu tempo entupindo as minhas narinas e pulmões com o aroma doce que ela exala. Seria isso algum sinal de fé? Acho que prefiro levá-la para a cama do que manter o meu patamar auto-destrutivo do tipo fuga frenética. Eu acho que também gosto de alimentá-la e fazê-la mostrar algumas ruguinhas de expressão nas bochechas, enquanto ela ri do meu papo extremamente inútil e sonhador. Ela faz com que eu me sinta quente por dentro, e com todo esse frio, isso é muito bom. Eu poderia pegar um resfriado e perder contato com a nave mãe Terra. Espero que ela fique por algum tempo, tem sido muito divertido.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Estou

Estou apodrecendo pela praça
Estou atirado pelos cantos de alguma esquina escura
Estou fumando cigarros e sorrindo de mentira
Estou adquirindo uma nova doença venérea
Estou matando vocês em pensamentos
Estou criando novos ideais
Estou chegando até o último copo
Estou enchendo a minha mente com músicas profanas
Estou estuprando a minha consciência
Estou esperando por nada
Estou esperando por tudo
Estou em uma linha reta perfeita
Estou fora de qualquer linha
Estou perto de todo mundo
Estou longe de mim mesmo
Estou lutando uma guerra por segundo
Estou apontando rifles carregados para tudo o que não me agrada
Estou atrás do meu próprio prazer
Estou aprendendo a tocar guitarra, baixo e punheta
Estou desplugado e desinteressado
Estou gargalhando e rindo de tudo o que me falta

quinta-feira, 8 de março de 2012

Só dezenove

Vocês costumavam apreciar aquilo, não? Os sorrisos, as besteiras ditas, o senso de humor incomum do tipo ácido e a infantilidade incrivelmente inocente e quase sábia. Aquele pequeno embrião já virou um bebê agora. E ele é frio, indiferente e um mentiroso patológico. Delírios psicóticos não são maldade... É só uma bolha, um muro. Uma tentativa extemamente em vão, uma coisa patética, fétida e triste. São só alguns anos de más sementes plantadas, muito ódio verdadeiro e culpa. Eu gostaria de reaprender a sentir as coisas como antes, eu costumava gostar tanto de amar. Por mais retrógado e frágil que aparentasse, me sentia completo. Sentia algo. Sentia tantas coisas, agora esses olhos são vazios. Eu vivo como um fantasma, é verdade. Eu vejo as pessoas sofrendo o tempo inteiro com seus probleminhas pequenos e não me importo. Não me importaria se morressem todos, ninguém me interessa de verdade. Estou preso em mim mesmo há tempo demais. Eu não converso com ninguém de verdade há tempo demais. Eu minto tão bem, mas tão bem, que todos acreditam no meu showzinho de horrores do tipo sorrisos amarelos,álcool e erva do diabo. Isso tudo é tão falso. Eu sou a pessoa mais falsa que eu conheço. Não que eu tenha feito o mal, eu ainda tenho uma boa índole intacta. Sou de olhos falsos, expressões ensaiadas e entretenimento barato. Ainda sou honesto, sim. Machuco quem eu tiver de machucar com as minhas palavras, honestidade demais também é ruim. É, eu sou a realeza pútrida. Amargo, tudo tem sido tão amargo e por tanto tempo. Nunca pensei que as coisas fossem chegar a este ponto. Tudo parece tão irreal... É como se algo tivesse se perdido no caminho, da mesma forma como sempre existe algo no caminho. Uma faixa imaginária que me impede de seguir. ''Nunca deixe chegar tão longe'', sempre disse a mim mesmo. Mas observo onde as coisas foram parar. E eu sinto nojo de mim. E ao mesmo tempo orgulho. É claro, de ferro... Frio e calculista, bem como deveria ser. Eu ainda sinto tanta falta, faz tanto frio dentro da minha mente. Eu ando fazendo tudo direito, mas ao mesmo tempo tudo está tão errado... Eu costumava servir tão bem, era tão bom amar e ser amado de volta. Não que as coisas voltem do ponto que pararam. A questão é que esse recomeço está errado, eu sinto isso. Ao menos eu não sofro mais, foram 7 LONGOS LONGOS LONGOS meses trancado aqui nesse lugar. Nesse quadrado, nessa cidade pequena e ruim. 7 Meses preso dentro da minha mente. Preso com as minhas memórias e a minha culpa. Eu era doente antes, mas se isso que sou agora é a cura, eu não consigo dizer qual é o pior. Agora eu saio, eu entretenho as pessoas... Sim, eu aprendi todas as lições de convívio e entretenimento alheio de estranhos. Mas a verdade é que eu só me engano. Eu minto para mim mesmo, todo o tempo. Eu minto dizendo que não sinto, só porque enterrei tudo. Precisei enterrar, ser frio, fingir que esqueci. Eu não conseguiria sem fazer isso. Essas pessoas riem comigo, com as bobagens propositais para o entretenimento delas. Mas sentiriam medo de mim, se soubessem de toda a verdade. Esse lance de ser jovem e ter vida... deus, a minha própria progenitora idosa e sábia confessou que eu aparento nunca estar feliz com nada. Nunca sentir nada. A questão é que a dor é grande demais. Eu não aguentaria passar por isso sozinho. E agora eu estou sozinho. Sim, todos os que eu amo não estão mais por perto. Não é culpa deles, eu me afastei. Eu não quero envolver ninguém nisso... Eu sinto vergonha, tenho medo que me vejam assim. Prefiro que mantenham uma boa memória de tudo aquilo o que já fui. Mas não o que sou agora. Essas pessoas novas, elas não me conhecem. Não fazem idéia de quem eu sou. De tudo o que aconteceu. Eu costumava amar os meus aniversários, o meu último foi inesquecível. Mas esse tem sido o pior de todos, eu nunca fui uma pessoa tão vazia quanto eu sou hoje. Eu sinto tanta falta de tudo o que eu já tive. Não, eu não consigo esquecer. Eu superei sim, mas eu nunca esqueci. Eu só sou uma sombra de tudo o que eu já fui. Tem vezes que eu me olho no espelho e nem sei quem eu sou mais. Talvez seja só um conjunto de tudo, só que com muita dor, rancor e protecionismo excessivos. Se eu pudesse realmente pedir algum presente de aniversário hoje, seria que algum milagre, alguma coisa boa de verdade acontecesse de verdade. Algo bom o bastante que me fizesse sorrir de verdade. Que trouxesse de volta esse meu pedaço, talvez o meu melhor pedaço. Alguém que segurasse a minha mão e dissesse: ''Vem... Você parece tão sofrido, eu vejo nos seus olhos. Você é uma boa pessoa, você quer que eu te ajude a fazer com que você volte a ver o mundo com olhos esperançosos?'' Mas é lógico que isso nunca vai acontecer. Isso é só uma idéia retardada e inferior, talvez isso seja o que tenha sobrado do sonhador que eu costumava ter dentro de mim. Eu não costumo escrever assim, eu só escrevi porque eu sei que provavelmente ninguém nunca leia isso. Mas eu acho que eu tinha que ser honesto de verdade alguma hora. Ao menos expor isso, nem que fosse para mim mesmo. Só dezenove, só dezenove...