quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Infecções e Enfermeiras

Neste natal eu quero me livrar de todas as infecções. Quero curar as feridas amarelas e esconder o fedor de carne podre e meias sujas que sai delas. Eu vou sair da cadeira de rodas e me levantar. Não, não tem sido tão divertido. Tomaria três cervejas, mas o fígado e o ânus se perderam no último ataque de ansiedade. Os fios que enfiaram no meu nariz estão mais frouxos agora, então eu posso me mexer de vez em quando. É bom que eu me mova, ainda que seja só para levantar um pouco a cabeça e sentir a tensão no músculo da nuca. Ao menos assim toda a guerra dentro do meu orgão gelatinoso do tipo raciocinador dá um pequeno e breve toque de cessar fogo. Aquela enfermeira que passa por mim, aquela com os olhos grandes, ela poderia abrir suas grandes coxas grossas e sentar em mim. É, talvez isso animasse um pouco o meu astral. Eu poderia ter um ataque cardíaco no meio do entra e sai, mas quem dá a mínima? Morreria feliz, e rígido. Provavelmente teriam que fazer um outro furo no meu caixão. Ainda assim, seria um ótimo presente, um pouco de entra e sai. Eu preciso ir agora, o médico com as agulhas grandes está chegando parar dar as minhas doses diárias. Essas doses, eu tenho a impressão de que só fazem com que o meu estado vegetativo do tipo fruta podre só piore. Esses médicos sem rosto me dão arrepios. Ao menos são mais amigáveis do que os monstrinhos do sótão.

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